Quiz das Doenças Parasitárias
Parasitologia Clínica: O Desafio das Doenças Negligenciadas
“As doenças parasitárias não são apenas um reflexo da biologia dos vetores, mas um espelho das condições socioeconômicas e ambientais. No Brasil, o médico deve estar preparado para diagnosticar desde a Malária na Amazônia até a transmissão oral de Chagas no Sul.”
Apesar dos avanços sanitários, as parasitoses continuam sendo uma causa significativa de morbidade no Brasil. A complexidade varia desde a desnutrição causada por geo-helmintos até a insuficiência cardíaca chagásica e a hipertensão portal da esquistossomose. O diagnóstico precoce e o tratamento específico são vitais para prevenir sequelas irreversíveis.
Quiz: Doenças Parasitárias do Brasil
Autoral: Portal SaudeAZSelecione o nível de conhecimento:
Estudante / Público
Transmissão, sintomas básicos e prevenção.
Residente / Clínico
Diagnóstico diferencial, tratamentos e ciclos de vida.
Infectologista
Imunopatologia, manejo de casos graves e imunossuprimidos.
Quantas perguntas deseja?
Resultado Final
Aprofunde-se nos temas:
1. Protozoários Teciduais e Sanguíneos
Doença de Chagas (Trypanosoma cruzi)
A transmissão clássica pelo vetor (triatomíneo/barbeiro) diminuiu, mas a transmissão oral (ingestão de açaí ou caldo de cana contaminados) emergiu como causa de surtos agudos graves, com miocardite fulminante. Na fase crônica, a Cardiopatia Chagásica (aneurisma de ponta, bloqueio de ramo direito) e as formas digestivas (Megaesôfago e Megacólon) representam um fardo enorme para o SUS. O tratamento etiológico com Benznidazol é mais eficaz na fase aguda e em crianças.
Leishmanioses
- Visceral (Calazar): Causada por L. infantum, transmitida pelo mosquito-palha (*Lutzomyia*). Caracteriza-se por febre longa, hepatoesplenomegalia maciça, pancitopenia e hipergamaglobulinemia. Se não tratada, a mortalidade ultrapassa 90%. O tratamento envolve Antimoniais Pentavalentes (Glucantime) ou Anfotericina B Lipossomal (escolha para graves/imunossuprimidos).
- Tegumentar Americana: Causa úlceras cutâneas (“Úlcera de Bauru”) e lesões mucosas destrutivas no nariz e boca.
Malária
Endêmica na região Amazônica. O Plasmodium vivax é o mais comum (causa recaídas devido aos hipnozoítos hepáticos), enquanto o Plasmodium falciparum é o mais letal (malária cerebral, insuficiência renal). O diagnóstico padrão-ouro é a Gota Espessa. O tratamento depende da espécie (Cloroquina + Primaquina para Vivax; Artemeter + Lumefantrina para Falciparum).
Toxoplasmose
Geralmente benigna em imunocompetentes, é devastadora na forma congênita (tríade de Sabin: coriorretinite, hidrocefalia, calcificações) e em imunossuprimidos (Neurotoxoplasmose no HIV). O gato é o hospedeiro definitivo, mas a infecção humana ocorre principalmente por carne mal cozida ou água contaminada com oocistos.
2. Helmintíases Sistêmicas e Intestinais
Esquistossomose Mansônica (“Barriga D’água”)
Causada pelo Schistosoma mansoni, cujo hospedeiro intermediário é o caramujo Biomphalaria. A forma crônica hepatoesplênica resulta em Fibrose de Symmers (fibrose periportal), causando hipertensão portal pré-sinusoidal grave, varizes esofágicas e esplenomegalia, geralmente com função hepática preservada. O tratamento é com Praziquantel.
Neurocisticercose
Causada pela ingestão de ovos de Taenia solium (contaminação fecal-oral humana, não pela ingestão de carne de porco). É a principal causa de epilepsia adquirida em países em desenvolvimento. A imagem mostra cistos calcificados ou ativos no parênquima cerebral. O tratamento envolve Albendazol/Praziquantel associado a corticoides para controlar a inflamação pós-morte do parasita.
Ameaça Silenciosa: Estrongiloidíase
O Strongyloides stercoralis tem a capacidade única de auto-infecção interna, persistindo no hospedeiro por décadas. Em pacientes que receberão imunossupressão (corticoides em alta dose, quimioterapia, transplante), pode ocorrer a Síndrome de Hiperinfecção, com disseminação maciça de larvas e sepse por bactérias Gram-negativas (carreadas pelas larvas). A profilaxia/tratamento com Ivermectina é obrigatória antes da imunossupressão.
3. Protozooses Intestinais
- Giardíase: Parasita o duodeno/jejuno, causando má absorção e diarreia esteatorreica. Tratamento: Metronidazol, Secnidazol ou Albendazol.
- Amebíase: A Entamoeba histolytica é invasora, causando colite disentérica (fezes com sangue/muco) e podendo formar Abscesso Hepático Amebiano (pus “pasta de anchova”). Diferencia-se da E. dispar (não patogênica).
4. Ectoparasitoses de Importância
- Escabiose (Sarna): Prurido noturno intenso. Surtos em asilos e hospitais exigem tratamento simultâneo de contatos com Permetrina ou Ivermectina. A “Sarna Norueguesa” é a forma crostosa em imunossuprimidos.
- Miíase: Infestação por larvas de mosca (*Dermatobia hominis* – berne, ou *Cochliomyia* – bicheira).
Conclusão: Diagnóstico Além do Óbvio
No Brasil, a febre de origem indeterminada deve sempre levantar suspeita de parasitoses sistêmicas (Malária, Calazar, Chagas agudo). A eosinofilia no hemograma é um marcador crucial de helmintíases invasivas (Estrongiloidíase, Ascaridíase, Esquistossomose agudo). O domínio dessas patologias é essencial para qualquer médico atuando no país.


























